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Jornada de Nefrologia e urologia na infância

A Jornada discutiu com acadêmicos e profissionais de saúde a importância do diagnóstico precoce e adequado das principais patologias nefrológicas e urológicas pediátricas.

A cada 1 milhão de crianças, 20 delas apresentam problemas relacionados a doenças renais crônicas no Brasil, o alerta é da Sociedade Brasileira de Nefrologia. A maior incidência dos casos está nas regiões Sul e Sudeste, em detrimento do Norte, Nordeste e Centro-oeste. O debate sobre a importância da nefrologia e urologia na infância e adolescência é necessário para correta investigação, tratamento e prevenção de novos casos.
Diante desse contexto, a Master Clínica, a RenalClin e o Centro Universitário FAG promoveram a primeira Jornada de Urologia e Nefrologia Pediátrica. O evento reuniu acadêmicos de medicina, profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, dentre outros) e pesquisadores com o objetivo de esclarecer e informar, de modo teórico, sobre as principais doenças do trato urinário neonatal e infantil.
Durante a discussão, os participantes receberam orientações de como identificar os sinais e/ou sintomas das doenças renais. Enfatizou-se também, os principais exames e procedimentos para um diagnóstico precoce e os tratamentos adequados para cada situação, a fim de evitar complicações futuras, como a insuficiência renal crônica e a necessidade de terapia de substituição renal através de transplante renal ou diálise.

As temáticas foram apresentadas por quatro especialistas durante o evento:

Dra. Maria Cristina de Andrade, Chefe do setor de Nefrologia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP/Escola Paulista de Medicina – EPM e Professora adjunta de Pediatria da UNIFESP/EPM
Conversei com os participantes sobre a infecção do trato urinário (ITU) na infância, com ênfase no período de dois a 24 meses de idade. A ITU acomete 5% das crianças nessa faixa etária, estatística relativamente alta. Desta forma, os pediatras, seja no consultório ou pronto-socorro, devem suspeitar de infecção do trato urinário quando se depararem com crianças com febre alta sem um foco aparente.
Foram abordadas também as características clínicas deste grupo de risco (lactentes), como coletar adequadamente a amostra de urina e ressaltado a importância do tratamento terapêutico o mais precoce possível. Porém, evitando o supertratamento. Esses cuidados são fundamentais para minimizar o risco de formação de cicatrizes renais após episódios de ITU. As crianças com cicatrizes podem no futuro desenvolver hipertensão arterial sistêmica e doença renal crônica, problemas que impactam na sua qualidade de vida.

Dr. Alex Sato Tanaka, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia (TiSBU); Urologista com foco em urologia pediátrica – Master Clínica
O tema da aula que ministrei foi sobre patologias urológicas muito comuns na prática médica, tanto em consultas ambulatoriais quanto em pronto-socorro, que todo médico deveria saber identificar e encaminhar para o especialista. Portanto, enfoquei nos sinais e sintomas destas doenças (fimose, hérnia inguinal, hidrocele, criptorquidia, hipospádia), mas também falei um pouco sobre técnica cirúrgica, já que parte dos participantes eram urologistas.
Acho que a Jornada foi um sucesso, mais de 100 pessoas compareceram ao evento, entre acadêmicos de medicina, médicos pediatras, nefrologistas e urologistas. Já pensamos em promover a 2ª Jornada no próximo ano com mais palestrantes de destaque no Brasil.

Dra. Mariana Araújo Barbosa Tanaka, Especialista em Nefrologia Pediátrica; Membro titular da Sociedade Brasileira de Nefrologia e Sociedade Brasileira de Pediatria e Mestre em Ciências Aplicadas à Pediatria pela UNIFESP/EPM
A Jornada de nefrologia e urologia pediátrica foi um momento importante no qual discutimos temas comuns do dia a dia do pediatra como os distúrbios funcionais da micção na infância, caracterizados principalmente, por escapes urinários diurnos ou noturnos em crianças neurologicamente normais, em idade na qual já deveriam possuir um pleno controle de suas funções miccionais. Esses eventos são sempre uma ótima oportunidade de compartilhar experiências e ampliar nossos conhecimentos.

Dr. Amilcar Martins Giron, Professor livre docente da divisão de Urologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – HCFMUSP; Chefe do setor de Urologia Perinatal do HCFMUSP
Eventos científicos regionais são fundamentais para troca de experiências, pois nem todos os profissionais têm a oportunidade de trabalhar em hospitais universitários. Trabalho no Hospital das Clínicas em São Paulo, que tem um grande fluxo de pacientes com problemas renais. Abordamos todas as doenças urológicas pediátricas, como a fimose e suas indicações cirúrgicas, a hidronefrose antenatal, a criptorquidia, o refluxo vesicoureteral, os distúrbios miccionais, a litíase renal e o transplante renal. Lá também, temos a oportunidade de realizar diversas pesquisas e protocolos de estudos científicos, o que beneficia a medicina e os pacientes.
Hoje em especial, falei sobre Hidronefrose antenatal, dilatação renal identificada no período gestacional e sobre o Refluxo vesicoureteral (RVU), uma anormalidade estrutural que promove o retorno de urina da bexiga para os rins.
O RVU é responsável por 40% das causas de infecção urinária na infância e pode ser classificado em cinco graus. Durante o seguimento, algumas crianças poderão evoluir com melhora espontânea, necessitando apenas de um acompanhamento clínico e outras, necessitarão de tratamento cirúrgico.

A revista Saúde News, na ocasião também ouviu a opinião de alguns participantes da jornada:

Dr. Milton Tatsuo Tanaka, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia – TiSBU e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Videolaparoscópica – SOBRACIL; Chefe do serviço de transplante renal do Hospital Nossa Senhora Salete e Urologista fundador da Master Clínica
A urologia com atendimento focado em “crianças” é uma área da medicina que apresenta uma grande lacuna, pois existe uma carência de profissionais especializados em crianças, não apenas em Cascavel, mas em todo o país. Desenvolver essa especialidade na cidade significa preencher um espaço em que a população infantil tinha pouca assistência, sendo muitas vezes necessário deslocar-se até Curitiba, em busca de tratamento adequado.
A ideia da Master Clinica é transformar Cascavel numa referência para o estado, e, sobretudo, ajudar o maior número possível de crianças com doenças urológicas e nefrológicas.

Dr. Malcom Krummenauer também esteve presente no evento e elogiou a iniciativa: “As palestras sobre os cuidados renais na infância foram de alto nível e esclarecedoras, contribuíram em muito para nossa reciclagem profissional”.

Dr. Gustavo Marconi Caetano Martins, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia (TiSBU) e Urologista com foco em Urologia Pediátrica – Master Clínica
Essa jornada representa a importância do atendimento médico especializado para crianças com doenças nefrológicas e urológicas, evitando que evoluam para complicações ou doenças mais graves. A Master Clínica e a Renalclin estão um passo à frente, pois estrearam especialidades médicas que apresentavam um déficit em toda a região oeste paranaense. O diagnóstico precoce é fundamental, pois proporciona maiores chances de sucesso no tratamento. Atendemos uma parcela de pacientes que, até então, precisavam se deslocar para grandes centros em busca de atendimento médico especializado. Nossa responsabilidade é muito grande, me sinto lisonjeado em fazer parte da família Master Clínica e, principalmente, em poder contribuir para o desenvolvimento médico da região. Tive uma ótima recepção na cidade e estou à disposição dos colegas e da população.

Andressa Pires Alves, acadêmica do 3º ano de Medicina da FAG
A liga acadêmica é um projeto de extensão, formada por um grupo de alunos com objetivo de ampliar o conhecimento dentro da área de urologia.
Além das atividades teóricas, participamos de projetos experimentais e práticos da especialidade, inclusive no centro cirúrgico. Desenvolvemos projetos de iniciação científica como pesquisas e produção de artigos, participamos de congressos, dentre outros.
Todos os alunos da liga vieram prestigiar essa jornada porque a urologia em crianças é imprescindível. O debate ajudou a aumentar nossos conhecimentos e nos auxiliou a entender um pouco mais dessa especialidade focada no tratamento infantil.

Fontes: Informativo da SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia), ano 23, nº 105, janeiro/fevereiro/março de 2016 e Cobertura Revista Saúde News